sábado, 31 de dezembro de 2011

DICIONARIO TEOLÓGICO: Patrologia


PATROLOGIA



Sto Ambrósio de Milão. Mosaico da catedral de Milão

Enquanto a Patrística estuda as origens e o desenvolvimento das doutrinas centrais da Igreja e suas vinculações com o meio político, cultural e filosófico de sua época, a Patrologia se volta para o estudo da vida, obra e doutrinas formuladas pelos pais conforme o período abrangido pelas respectivas tradições (do final do período apostólico até Agostinho, segundo os protestantes, ou até Isidoro de Sevilha, no século VI, segundo os católicos, ou até João Damasceno, no século VII, para os ortodoxos). Como descreve Berthold Altaner, a Patrologia abrange o conjunto de escritores da Antiguidade cristã, testemunhas que são da doutrina da igreja, agrupados de acordo com métodos históricos (...) interessar-se-á (...) pela história da literatura antiga e ainda pelas obras dos escritores não eclesiásticos. (ALTANER Berthold & STUIBER Alfred. Patrologia, 4º Ed. S.Paulo, Paulus, 2010, p.17). É, desse modo, uma história da literatura cristã que abrange todos os gêneros (apologia, história, hinários, etc), bem como a diversidade de autores, posto que também os escritos dos leigos são objetos de estudos desse campo de pesquisa da Teologia. Assim, tomando, por exemplo, Agostinho, enquanto na Patrística o enfoque na sua doutrina sobre a Trindade contemplará a evolução do seu pensamento nos diversos escritos desse mesmo teólogo, ao mesmo tempo, enfocará o desenvolvimento dogmático dessa mesma doutrina nas obras de vários pais (Orígenes, Atanásio, Hilário de Poltiers, etc) e suas vinculações com o pensamento do final da Antiguidade Clássica (Neoplatonismo) na Patrologia serão enfocados os escritos desse autor sobre o tema Trindade ou as diversas obras escritas em diferentes escritos históricos relacionadas com o tema, acompanhando os diversos estágios da formação do dogma, ou ainda, os autores isoladamente, em diferentes momentos históricos. Além disso, o patrologista também tem como material de estudo as obras dos leigos porque elas também se constituem patrimônio dessa literatura cristã primeva. Isso explica porque os patrologistas estudam os livros gnósticos apócrifos (católicos) ou pseudepígrafos (protestantes), bem como obras não necessariamente gnósticas, mas não incorporadas ao cânon, embora vinculadas á tradição como a Didaquê (século II) fato que, inegavelmente, aproxima esse campo de pesquisa da Exegese do período neotestamentário. Desse modo, a Patrologia se encontra num terreno de conexão com outras ciências teológicas que fornecem elementos para a construção de sua reflexão, como a História da Igreja, a Patrística, a Exegese e a Dogmática já que o desenvolvimento dos dogmas da igreja também é um campo de pesquisa que perpassa pela reflexão dos pesquisadores desse campo de investigação da Teologia.

Um bom manual de Patrologia, tomando por base a clássica edição de Berthold Altaner (1885 – 1964) abrange basicamente a literatura produzida no período subapostólico, os apologistas (Aristides, Taciano, Atenágoras, Teófilo, Justino, Irineu), a literatura gnóstica e não-gnóstica considerada herética pelos pais da igreja, os pais ocidentais e orientais dos séculos III e IV, os historiadores eclesiásticos, os pais do Oriente e do Ocidente nos séculos IV e V e, eventualmente, escritores sírios e armênios dos séculos IV e V. embora situado dentro da tradição católica, Altaner abrange o campo de sua reflexão até o século VIII, o que o coloca em proximidade com os orientais, posto que na Patrística Oriental o período chega até essa época. O manual protestante de JND Kelly, Doutrinas Fundamentais da Fé Cristã (S.Paulo, Vida Nova, 1994) se estende até Agostinho, exclui os poemas, os hinos, leis eclesiásticas, textos litúrgicos e relatos de peregrinações, documentos que fazem parte do roteiro de pesquisa de Altaner. A literatura apócrifa é analisada minuciosamente em Altaner como também por Phillip Vielhauer na História da Literatura Cristã Primitiva, o que coloca Altaner em contato com a exegese do período neotestamentário e subapostólico. A literatura do Oriente não-grego (Afrahat e Efraim) também é descrita de maneira que se tenha uma visão de conjunto da produção teológica dos autores cristãos (leigos ou não) no Ocidente, na Ásia Menor, na África e no Oriente Médio (Síria, Armênia e Pérsia)

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